Sexta-feira, 30 de Junho de 2006
CONFRARIA DO VINHO DO PORTO
A Confraria do Vinho do Porto foi constituída em 1982 com o objectivo de difundir, promover e consolidar o renome mundial do Vinho Porto.A Confraria é constituída por pessoas que exercem a sua actividade profissional no comércio e exportação do Vinho do Porto, como comerciantes em nome individual, como administradores ou gerentes de sociedades.ChancelariaVinhoPorto.jpgAos Confrades é-lhes atribuído grau de Mestre, caso sejam administradores ou gerentes das sociedades ou, o grau de Experto, caso sejam empregados superiores das empresas comerciais de Vinho do Porto.Os Mestres e os Expertos são os Confrades Efectivos que escolhem entre si a Chancelaria que é o orgão dirigente que administra e representa a Confraria do Vinho do Porto.A Chancelaria é composta pelo Chanceler - figura máxima de representatividade dentro da Confraria do Vinho do Porto - pelo Almoxarife, pelo Copeiro-Mor, pelo Almotacé e pelo Fiel das Usanças.Quando os Confrades se reunem, oficialmente, convocados pelo Chanceler, tem lugar um Capítulo, onde são tomadas todas as decisões relevantes para a Confraria, sendo anualmente efectuada a admissão de novos Confrades Efectivos ou Honorários.Os Confrades Honorários são distinguidos pelos graus de Cancelário, Infanção e Cavaleiro.entron_Duque.jpgOs Cancelários são todos os Chefes de Estado que pela sua projecção emprestam notoriedade à Confraria e ao Vinho do Porto. Os Infanções são todas as individualidades ou instituições de relevo que de forma significativa tenham contribuído para a divulgação, prestígio e dignificação do Vinho do Porto ou que pelo seu prestígio pessoal, ou pelas elevadas funções que desempenham, mereçam ser distinguidos com este grau.Os Cavaleiros são todos os que, não estando abrangidos pelos graus anteriores, mereçam ser distinguidos pela sua dedicação e serviço ao Vinho do Porto.Completam-se em 2006 vinte e quatro anos de existência da Confraria do Vinho do Porto. Mas o projecto da sua fundação é bem mais antigo, pois tendo estado na mente dos seus fundadores durante muitos anos, só não foi concretizado mais cedo por entraves vários, alguns dos quais nos parecem, vistos da perspectiva de hoje, quase incompreensíveis. O quadro institucional do sector do Vinho do Porto, de cariz corporativo, conferia a representação de todos os interesses nele envolvidos a instituições de inscrição obrigatória, o que desmotivava a criação de associações privadas. O próprio nome projectado para a instituição - Confraria - estava reservado, segundo as leis da época para associações de carácter religioso.Mas graças às alterações políticas e à persistentededicação de algumas figuras de relevo no mundo do Vinho do Porto, foi possível constituir, por escritura de “9 de Novembro de 1982”, a Confraria.Cabe aqui mencionar os membros da 1ª Chancelaria: Fernando Nicolau de Almeida e José António Rosas, Robin Reid, entusiástico impulsionador da criação da Confraria, Manuel Joaquim Poças Pintão que elaborou as Usanças e Michael Douglas Symington.Foi escolhida como figura histórica inspiradora e primeiro Patrono da instituição o Infante D. Henrique. Ao lançar-se na epopeia das Descobertas, dando assim “novos mundos ao Mundo” este Príncipe de Portugal traçou um caminho seguido mais tarde pelo Vinho do Porto, vinho universalista por excelência que leva, tal como as naus do Infante, a imagem de Portugal aos quatro cantos da Terra. A ascendência inglesa do Infante - filho de Filipa de Lencastre - tem um paralelo feliz no nosso Vinho cuja “descoberta” se deve em boa medida ao espírito empreendedor dos comerciantes britânicos. Assim, nada mais natural, que tenha sido escolhido, como elemento da indumentária dos Confrades, o chapéu de aba larga com faixa pendente usado pelo Infante nos célebres painéis de S. Vicente do pintor Nuno Gonçalves. Logo no primeiro ano da sua existência, a Confraria promoveu a primeira cerimónia solene de Entronização dos novos membros e a primeira Regata de Barcos Rabelos, realizadas no período das festas de S. João, Patrono da cidade do Porto. Estes dois acontecimentos adquiriram a partir de então um grande relevo na vida social e cultural da cidade.XXI_Regata_foto.jpgA Regata, disputada inicialmente por apenas quatro barcos, contribuiu decisivamente para a preservação deste tipo tão característico de embarcação que, durante séculos assegurou o transporte do Vinho do Porto, desde o Alto Douro até ao Porto. Para além das realizações atrás referidas, a Confraria tem levado a cabo outras iniciativas entre as quais avultam:- Cerimónias de Entronização em vários países: Japão, Brasil, Estados Unidos e Canadá, durante as quais foram homenageadas personalidades e instituições de grande relevo ou de particular dedicação à causa do Vinho do Porto.- Cerimónias de Declaração do Vintage da Confraria sempre que se verifique uma declaração de uma determinada colheita, por parte da maioria das empresas do Sector. No ano de 2002, e pela primeira vez, a declaração do Vintage 2000 foi precedida de uma prova das 42 marcas declarantes que suscitou grande interesse.- Participação em vários acontecimentos envolvendo o Vinho do Porto, nomeadamente em apoio a acções promovidas pelo Instituto do Vinho do Porto. Destacamos a prova dos Vintages do Século realizada em 12 de Junho de 1999.Os Estatutos da Confraria fixam-lhe os objectivos de: "a difusão, promoção e consolidação do renome mundial do Vinho do Porto e da respectiva região de produção" . entron2_palacio3.jpgTraje da Confraria: O traje dos Confrades é constituído por:. Chapéu preto de grandes abas, de cuja copa sai uma fita larga de cor preta que pousa sobre os ombros.Os Confrades que integram a Chancelaria usam fita creme enquanto ocupam o cargo, passando a fita bicolor - creme e preta - quando deixam de exercer funções. . Capa grenat debruada a fita preta. . Distintivo com o emblema da Confraria, colocado à altura do peito, sobre a capa do lado esquerdo. . Fita colocada ao pescoço, verde rubra da qual pende tomboladeira de formato tradicional para Vinho do Porto, do século XVII. Este trajo é usado obrigatoriamente pelos Confrades Efectivos.Os Confrades Honorários com o Grau de Cavaleiro usam fita com as cores verde rubra da qual pende uma tomboladeira.O uso do trajo da Confraria - texto do Sr. Manuel Pintão da firma Manoel D. Poças Júnior. No início da nossa Confraria era visível que os Confrades, em público, tinham certa dificuldade em usar o nosso trajo.Havia o receio de ficar numa situação de ridículo.No entanto nunca presenciei nem tive conhecimento de qualquer caso em que um Confrade ao usar o trajo fosse vítima de qualquer apreciação menos respeitosa, bem pelo contrário.Assim, por exemplo, quando da primeira declaração do Vintage Confraria, o de 1982, quando aguardávamos o embarque num Barco Rabelo, no cais da Ribeira, para atravessar o Rio Douro, um homem de meia idade chegou junto dum Grupo de Confrades e perguntou muito respeitosamente:“Desculpem a curiosidade: Por que estão vestidos dessa maneira?”.Esclarecemos e explicámos todo o trajo e significado de cada elemento. Fomos ouvidos atentamente e no final agradecidos.Houve, no entanto um episódio ligado ao nosso trajo, para mim inesquecível.No seguimento duma Regata dos Barcos Rabelos, uma das primeiras, uma pequena lancha que transportava a Chancelaria deixou-nos no Cais da Estiva, no lado do Porto. O Michael Symington e eu, com o trajo completo como é óbvio, caminhávamos pelo Muro dos Bacalhoeiros e conversávamos despreocupados.De repente descendo a escada de um dos prédios, a grande velocidade um rapaz dos seus oito a dez anos quase esbarrou connosco.Quando nos viu, arregalou os olhos, ficou espantado e imóvel e exclamou maravilhado: “Ah...D'Artacão!”.Por breves momentos nós tínhamos realizada o imaginário daquela criança que tinha visto o herói duma série então passando na Televisão em que animais interpretavam “ Os três Mosqueteiros” e um cão o mais célebre deles todos, D'Artagnan que nessa série se chamava “D'Artacão”!Michael e eu rimos da espontaneidade da reacção desse rapaz e eu acrescentei: “só por aquilo a que acabamos de assistir valeu a pena criar a nossa Confraria”.Site: Confraria do Vinho do Porto

tags:

publicado por João Carvalho Fernandes às 11:00
link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De Diana a 20 de Setembro de 2009 às 12:30
Gostaria de saber o que é necessário para fazer parte da vossa Confraria.
Obrigada


De Luiz Fernando Ribeiro Loureiro a 20 de Junho de 2008 às 22:15
Gostaria de receber grátis uma garrafa do famoso vinho do Porto. Mesmo sendo filho de imigrantes portugueses, dificilmente nunca terei oportunidade de ir a Portugal. Caso meu pedido seja possível, agradeço. Luiz Loureiro


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28


posts recentes

CHRIS GEOFFROY - A última...

BOLIVAR LUSÍADAS PROTAGON...

ANTÓNIO MEXIA - É SÓ COIN...

PROGRESSIVIDADE FISCAL

MENINAS E MENINOS DE OURO

CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGI...

ANTÓNIO COSTA, DEMITA-SE!

DESERTIFICAÇÃO...

MONUMENTO DE HOMENAGEM AO...

O ASTÉRIX QUE SE CUIDE!

Banner Publipt
arquivos

Fevereiro 2019

Junho 2018

Abril 2018

Novembro 2017

Setembro 2017

Junho 2017

Abril 2017

Março 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Agosto 2015

Abril 2015

Março 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Setembro 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

Dezembro 2003

Novembro 2003

Outubro 2003

Setembro 2003

Agosto 2003

Julho 2003

Junho 2003

Maio 2003

Abril 2003

Março 2003

tags

todas as tags

favoritos

Dos sítios que valem a pe...

Fazer um cruzeiro: yay ou...

Hoje vou contar-vos uma h...

Boa Noite e Bom Descanso

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds