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NÃO ESQUECEREMOS

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publicado por João Carvalho Fernandes às 20:30
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Domingo, 11 de Setembro de 2011
ANTÓNIO JOSÉ CARRUSCA RODRIGUES - morto a 11 de Setembro de 2011
Antonio Jose Carrusca Rodrigues
Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena A esperança dos subterrâneos António José Rodrigues, 36 anos, está desaparecido na área do WTC desde o dia do atentado. O seu primo, Jorge da Silva, 29, não tem autorização para lá chegar, mas dificilmente poderia acrescentar algo mais aos esforços das equipas de busca. Já foi aos hospitais, à Cruz Vermelha, a todos os locais onde pudesse recolher uma pista de Tozé, polícia na Port Authority (autoridade marítima) de Nova Iorque e New Jersey.À hora dos atentados, Tozé está no seu posto, no terminal de autocarros,longe dali, na Rua 42. Recebe a ordem de acudir às vítimas e ajudar na evacuação das torres gémeas. Está tudo muito confuso. O fumo é cada vez mais intenso e é-lhe pedido para ir aos pisos subterrâneos, buscar máscaras e garrafas de oxigénio.Quando desce, cai uma torre. O facto de estar nos pisos subterrâneos pode ser uma vantagem. É que por baixo do WTC havia um mundo equivalente a sete andares. Pode estar encurralado, mas vivo, acredita Jorge da Silva.Tozé é um emigrante tardio. Partiu para Nova Iorque aos 16 anos e sozinho, deixando os pais em Faro. Juntou-se aos tios e a Jorge, em Queens, onde começou por trabalhar numa empresa de canalizações. Não teve dificuldades de adaptação, até porque a área foi «colonizada» por milhares de portugueses. Rapidamente, ficou conhecido por «Shorty» (Baixinho) por causa do seu metro e 90 de altura. Alistou-se na NYPD (polícia de NY). Não gostou da experiência, recuou e jogou de novo, agora na autoridade marítima, que integrava há menos de um ano. Após o casamento com Cristina Rodrigues, 23 anos, uma professora primária luso-americana, mudou-se para Long Island e teve dois filhos, uma menina de 7 anos e um rapaz de 4.Na manhã de terça-feira, 11, saiu muito cedo, às cinco e meia da manhã, porque a viagem para a área financeira da grande cidade pode demorar duas horas e ele começa a trabalhar às oito. Mudara de turno no início do mês, para passar mais tempo com a família.«Ele é um lutador. É inteligente e conhece bem aquilo. Vai aparecer», garante a mulher. Quando os filhos perguntam pelo pai, Cristina responde que está a ajudar as outras pessoas. O pai é um herói.


publicado por João Carvalho Fernandes às 17:00
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MANUEL JOHN DA MOTA - morto a 11 de Setembro de 2001
Manuel John Da Mota
Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena Uma reunião nas "janelas do mundo" A decoração de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Manhattan tem a mão de Manuel da Mota, 43 anos. O seu nome chegou a figurar em revistas da especialidade, garante Barbara da Mota, 36, paraguaia, grávida de três meses, que se recusa a acreditar na morte do marido.Foi precisamente o prestígio profissional que levou este director de projectos de uma empresa de construção ao 107.º andar da torre 1 do WTC. Tinha uma reunião marcada com os donos do restaurante Windows of the World, que queriam fazer obras de ampliação. Chegou dois minutos antes de o primeiro avião se despenhar 20 pisos abaixo.Meio mundo está de olhos posto, incrédulo, nas imagens do arranha-céus atravessado por um Boeing 767. Barbara faz parte da outra metade - tem a TV e o rádio desligados. Toca o telefone, é a mulher de Obedulio, um dos colegas que acompanhara Manuel à reunião. «Perguntou-me como estava, mas não me disse nada para não me preocupar», recorda.Segue-se outro atentado e um desabamento, até as notícias lhe chegarem, através do telefonema de uma amiga: «Não sabes o que se passa? É o fim do mundo. Atacaram o WTC.» Não demorou nada para Barbara relacionar os atentados com o marido: «Dios mio, Manuel!»Barbara liga para o seu telemóvel, mas este não dá sinal, contacta com Mark, um dos colegas de Manuel na Bronx Builders Inc. Mark confirma que o grupo estava no WTC à hora errada. Recebera um telefonema de Joshua, o terceiro elemento, pouco depois do primeiro impacto. Todos estavam bem e mantinham-se juntos.Segue-se a derrocada das torres. Manuel da Mota está no grupo dos portugueses desaparecidos. Um poster com o seu nome, características físicas e contacto da família encontra-se agora junto de milhares de anúncios desesperados, colocados nos hospitais, nas vedações dos jardins, nas paredes dos prédios, nos postes de electricidade e nos semáforos. Foi Barbara que andou a espalhá-los, na companhia de duas irmãs de Manuel, que estão emigradas no Canadá e que passaram a fronteira de automóvel mal souberam da notícia. Os documentos pessoais foram entregues às autoridades, dados de ADN e registos dentários também. Nada mais se pode fazer.Passaram cinco dias sobre os atentados terroristas. Barbara da Mota fala com a VISÃO, na sua moradia na Valley Stream, um bairro calmo de casas elegantes, em Long Island. A sala parece confirmar os dotes de decorador do marido. Está cheia de familiares do casal, e Chris, 10 anos, o mais novo dos três filhos de Manuel (tem mais dois de um primeiro casamento: Justin, 21, e David, 19), corre de um lado para outro. O pior já passou, deixou de perguntar insistentemente pelo pai e de acordar sobressaltado durante o sono. Está a ser acompanhado por um psicólogo.Apesar do tempo que decorreu desde a tragédia, e de o mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, desmentir que alguém tenha sido descoberto com vida entre as ruínas, nos últimos dias, a família Mota recusa-se a acreditar que Manuel esteja morto. «Tenho muita esperança, sinto que ele está aí», diz Barbara. «Enquanto há vida, há esperança», acrescenta Carmelita Lopes, irmã do português missing.Manuel Mota costumava dizer que não sabia de onde era: Portugal, África ou América? Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas aos 7 anos fez as malas com o resto da família e partiu para Luanda, onde o pai tentava a sorte como professor. Com a descolonização, regressou a Portugal, mas não se demorou. Conheceu uma americana que gozava férias no país do sol e, pouco depois, levou-a ao altar em Nova Iorque, outro novo amor.Trabalhou sempre no negócio da madeira. Chegou mesmo a constituir a sua própria empresa, em Newark. Não se deu mal, o sucesso levou a Bronx Builders a fazer-lhe um convite irrecusável. A empresa de Manuel seria integrada nessa grande companhia, em troca de uma participação na sociedade. Nesta fase, já estava casado com Barbara, que deixara Assunção para se radicar em NY.O nome de Manuel Mota é bastante popular entre a comunidade portuguesa de Queens, onde viveu antes de se estabelecer no sossego de Long Island, há cinco anos. «Às vezes, as pessoas aqui têm uma tendência para serem egoístas e a se agarrarem ao dinheiro. Ele não era assim», afirma João Ferreira, 53 anos, dono do restaurante O Lavrador, em Jamaica, bairro de Queens.Manuel era muito mais do que um cliente frequente, que ia ver o campeonato de futebol português, na RTP Internacional, ou o Benfica, na SIC. Foi ele que renovou as madeiras do restaurante, há oito anos, e quem se prontificou para ir recentemente à Pensilvânia comprar tábuas para um novo trabalho de carpintaria. Deveria ainda dar conselhos sobre as obras na casa de João Ferreira, em Barcelos, quando visitasse Portugal, no fim deste mês, numa segunda temporada de férias (entre os sete irmãos e muitos sobrinhos), depois de uma semana em casa com a família, nos dias que antecederam as acções suicidas.Na bagagem, Manuel traria a boa nova da gravidez de Barbara. «Agora, só queremos uma notícia: saber se ele está vivo ou morto. A incerteza é desesperante», diz o sobrinho Luís Mota, electricista, residente em Carvalhais, Figueira da Foz. Luís ainda se lembra dos brinquedos que o tio mandava dos States, e que frequentemente apareciam nas páginas dos comics que via por cá. Diz-se «eternamente agradecido» ao Estado português, pelo apoio que a família tem recebido, mas de resto mete trancas à porta da privacidade. «Não quero que me vejam chorar frente às câmaras de televisão.»


publicado por João Carvalho Fernandes às 16:11
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CARLOS DA COSTA - morto a 11 de Setembro de 2001
Carlos da Costa
Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena História de valentiaCarlos Costa, 41 anos, engenheiro electrónico na Autoridade Marítima, é outro dos portugueses que está por contactar desde o dia do atentado. Rita Costa, 37 anos, crê, porém, que em breve o marido vai sair com vida dos escombros do WTC. «Tenho muita esperança, ele sabe muito bem como as torres estão construídas e como se proteger», diz à VISÃO. «Resta apurar se ele sabia o que estava a acontecer.»Segundo o relato da supervisora de Carlos, tudo aponta para que também este português tenha colocado a ajuda aos vizinhos da torre sul à frente da sua própria vida. Após o primeiro impacto, é avistado a descer as escadas, entre o pó e o fumo. Mas detém a corrida, há gente presa no elevador. Carlos e dois colegas tentam tirar as pessoas daquela prisão. Não se sabe se conseguiram.Rita está em casa e prepara-se para sair para o emprego, numa escola primária, na cidade de Elizabeth, em New Jersey. As notícias saem em forma de imagens de terror da TV, que mantém ligada durante o pequeno-almoço. «Percebi logo o que se estava a passar.» Tenta telefonar-lhe. Ninguém atende. Tenta também a comunicação através do pager. Não receberá nenhuma resposta e, ao fim do dia, declara o desaparecimento do marido às autoridades.Carlos da Costa é natural de Viseu e quando chegou, com os pais, à América tinha 9 anos. A família estabeleceu-se em Elizabeth. Foi lá que cresceu e fez os estudos, até ao liceu. Só saiu para completar o curso de Engenharia Electrónica, em Albany, a capital do Estado de Nova Iorque. Casou, em 1987, com Rita, natural da Mealhada, residente em Newark desde os 14 anos. Têm dois filhos: Carlos, agora com 14 anos, e Daniel, com 10.Já há fotografias espalhadas em alguns locais, os elementos essenciais de Carlos estão nas muitas listas de desaparecidos nas páginas dos jornais e cadeias de televisão na Internet. Como os familiares de todos os outros desaparecidos, Rita ainda espera o toque do telefone ou o aviso de uma nova mensagem.


publicado por João Carvalho Fernandes às 15:04
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ANTÓNIO AUGUSTO TOMÉ ROCHA - morto a 11 de Setembro 2001
Antonio Augusto Tomé Rocha
Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena "Tony" RochaUm último telefonema«O nome do meu filho vai ficar na história da América», acredita Augusto Rocha, 58 anos, pai de António Rocha, 34, corretor na Cantor Fitzgerald Securities. A empresa ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte do WTC, a primeira a ser atingida pelos pilotos suicidas. António estava no mais alto. «Estes ataques marcaram os EUA e vão mudar o mundo», diz Augusto, director bancário radicado na América há 30 anos.Confirmando os piores receios da família, o corpo de Tony foi encontrado no domingo, 16, sob as ruínas das torres. Tony deixa a mulher, Marylin, uma luso-americana de 29 anos, e dois filhos: Alyssa, 3 anos e meio, e Ethan, de 6 meses.Como todos os dias, naquela terça-feira Tony tinha entrado no escritório às seis da manhã. O seu trabalho, como chefe da sala de operações, depende dos fusos horários, recebendo informações dos mercados europeus para as transmitir às praças latino-americanas e asiáticas. Enquanto assiste de lugar privilegiado ao nascer do sol em Nova Iorque, comunica via Internet com um primo, residente em Aveiro. O diálogo acaba pouco depois das oito, momentos antes de um avião chocar contra o edifício.Nesta altura, Augusto Rocha estava a iniciar o seu dia nas Bahamas, onde dirige uma unidade do Unibanco, do Brasil. O banho matinal é interrompido por uma chamada do filho mais novo, Jason, 21 anos. «Pai, pai, o WTC está a arder, o Tony está preso.» Augusto liga a TV e assiste ao segundo impacto em directo. Tenta marcar o número de Tony, mas este não atende. O seu último telefonema fora para Marylin: «Um avião bateu contra o WTC, há fogo, muito fumo, mas não te assustes...» A mulher não compreende as últimas palavras e deixa de o ouvir. «Devia estar atordoado com o fumo», crê Manuel Marques, 68 anos, o sogro.Augusto, para chegar a Nova Iorque, começa uma saga que lhe levará quatro dias. Os aeroportos estão fechados e as comunicações são impossíveis. Conseguirá atingir Palm Beach, na Florida, de barco, onde esperará que o espaço aéreo seja restabelecido.A responsabilidade de apurar o paradeiro de Tony cabe a Jason, bem mais perto dos acontecimentos, já que reside com a mãe, Rosa Rocha, no Soho. Dirige-se, rapidamente, para a mercearia de Alcina Tiago, 46 anos, amiga de duas décadas da família. Ela ainda está aterrada com aquilo a que acabara de assistir: «Uma bomba que passou por cima das nossas cabeças contra os prédios grandes.» Pela sua mercearia passa toda a comunidade portuguesa de Soho.A baixa de Nova Iorque entra em estado de sítio. As pessoas desapareceram das ruas. Jason parte com o filho de Alcina, Patrick, 18 anos, à procura do irmão. Hospital atrás de hospital.A família concentra-se na casa de Tony, num bairro elegante de East Hanover, em New Jersey. Quando Augusto Rocha chega finalmente, confirmam-lhe a morte do filho. O corpo já está identificado pelo cunhado, Chris Trucillo, com quem programara gozar férias nas Caraíbas, na segunda quinzena de Setembro.Embora tenha crescido na América, Tony falava português sem sotaque. «Tinha uma fantástica capacidade de aprender e era muito forte em números, como eu, acho que pegou os meus genes», recorda o pai. Em 1994, já com o curso de administração de empresas concluído, Tony casou com Marylin Marques, na catedral de Newark. Namoravam há sete anos. Além de um homem de família, Tony tornou-se num respeitado corretor e, ao fim de uma ligação de oito anos à firma Garban Financial Market Securities, em Wall Street, aceitou o convite da Cantor Fitzgerald Securities. Esta empresa perdeu 700 dos seus mil funcionários, entre os quais o irmão do próprio presidente ? que revelou, num depoimento dramático, que só não estava no escritório porque se atrasou ao deixar o filho no colégio.Augusto Rocha espera que antes de atacarem os árabes, os americanos «identifiquem os culpados e que os chamem, se possível, à justiça». Ele não quer que o filho entre na história pelos motivos errados.


publicado por João Carvalho Fernandes às 13:08
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JOÃO ALBERTO DA FONSECA AGUIAR JR - morto a 11 de Setembro 2001
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr.
Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena "JJ" aguiar Um herói português A manhã do desaparecimento de João Aguiar Júnior, 30 anos, parece tirada de um filme de acção, no qual já se adivinha que a calma rotina do protagonista será transformada num desencadear de situações inimagináveis. Inimagináveis até esse dia 11 de Setembro em que a ficção foi ultrapassada pela realidade e entre muitos milhares de histórias de coincidências fatais (quase tantas quantas as dos ocupantes do World Trade Center - WTC ) , um português se fez mártir em Nova Iorque.João Aguiar Júnior, JJ como todos o conhecem, sai bem cedo de Colts Neck, no sul de New Jersey, da casa da americana Lisa Singer, 29 anos. Preferia sempre ficar ali, na companhia da noiva, num amplo espaço verde, fazendo longos passeios a cavalo, em vez de ficar no seu apartamento de Hoboken, às portas de Manhattan. Dirige-se de automóvel para Atlantic Highlands, onde apanha o hovercraft que o deixa junto ao WTC. Entra no elevador e às oito e meia em ponto está no escritório da empresa de corretagem e gestão de património Keefe, Bruyette & Woods (KB&W), situado no 87.º andar da torre sul. JJ é, desde há duas semanas, o vice-presidente e anda motivado como nunca. Fora promovido pouco depois de receber o certificado de analista financeiro, que lhe levara três anos a conseguir. Passou a dirigir a secção de gestão de património, com uma equipa de cinco pessoas.O grosso dos 150 funcionários da KB&W está na área da corretagem. Mal tinha acabado de cumprimentar a secretária, Lilian, ouve uma explosão na torre vizinha. Os quatro colegas que partilham o espaço com JJ abeiram-se da janela e tentam perceber o que se está a passar. Não chegam a grandes conclusões, como mais tarde dirá ao pai, João Aguiar, 53 anos, ao reconstituir essa manhã trágica.Telefona para Lisa, mas ela encontra-se ao volante a caminho do emprego e não está a ouvir notícias. Deixa um recado: «Aconteceu algo no WTC, mas estou bem», tranquiliza. Ela só saberá do sucedido largos minutos depois, quando o congestionamento das linhas já não permite qualquer contacto. JJ ordena a evacuação do escritório e sai com Lilian pelas escadas, para apanhar, dez pisos abaixo, um elevador que desce mais depressa ao piso térreo. Não há pânico, apesar das notícias serem incertas, porque as chamas estão na torre do lado. Enquanto a secretária desce, o executivo português decide voltar atrás. Vai convencer os colegas a saírem. A ordem de evacuação não lhes fora dada.Os colegas de sala de JJ não voltarão a vê-lo. Sabem apenas que, antes de abandonar o edifício, ainda vai dar o alarme aos funcionários do Banco Fuji, nos andares 60.º e 61.º, com os quais trabalhara até há dois anos. «É nessa altura que se dá o segundo embate, precisamente na área para onde JJ se dirigia», diz o seu pai. A partir desse momento, o mais novo dos seus três filhos desaparece nas chamas, no fumo e nas ruínas.João Aguiar (JA) recebeu a notícia do atentado como quase toda a gente: pela televisão. Estava em Sintra (mora em Galamares, com a mulher, Diane, cidadã norte-americana) , a passear com amigos dos EUA, quando viu uma multidão em frente das imagens televisivas. Assustado, tentou ligar para o filho, mas o seu telemóvel foi-se abaixo. «Se tivesse funcionado, de certeza que o tinha convencido a descer», lamenta. Em todo o caso, seria tarde.Desde que JA e sua mulher chegaram aos EUA, no domingo, 16, ouviram vários relatos sobre a actuação de JJ durante os atentados. Pelo menos quatro pessoas dizem que lhe devem a vida. E numa missa que a empresa encomendou pela alma dos funcionários desaparecidos, «o seu nome foi referido como um herói», contam.Num país onde a palavra sucesso é decisiva, JJ estava no bom caminho. «Ele adorava a firma e queria muito subir no ranking», lembra Lisa. «E sonhava com tudo o que um americano deseja: um óptimo emprego, uma família estável e bons amigos», acrescenta a namorada.Rick e Susan Hollandsworth são um casal de amigos americanos de JJ. Logo nos primeiros momentos da tragédia colocaram online uma página dedicada ao português desaparecido. «João, um dos meus melhores amigos, era carinhoso, atencioso e sempre disponível para ajudar. Ele esteve presente quando conheci a minha mulher e esteve a meu lado quando me casei. Não era apenas um homem bom, foi o meu padrinho (trocadilho com best-man)», escreve Rick. Também na KB&W, que montou um gabinete de crise para responder às solicitações de familiares e amigos de desaparecidos, o apelido Araújo é logo substituído por um amigável «JJ». «Ele foi um herói. Desapareceu quando organizava a evacuação dos outros funcionários. Toda a gente saiu em segurança, menos ele», dizem-nos.«Era tudo o que se pode querer de um filho, era um dos meus melhores amigos, falávamos quase todos os dias, às vezes horas. Tinha um grande sentido de humor e adorava a vida», sublinha a mãe, Diane, num encontro com a VISÃO, na localidade de Red Bank, no sul de New Jersey, onde JJ nasceu há 30 anos. Foi nesta região que cresceu e fez os primeiros estudos, antes de o pai regressar a Portugal, depois de 15 anos nos EUA, a trabalhar na banca.JJ completou o liceu em Carcavelos, no Colégio Saint Julian's, e tinha amigos desse tempo a residir em Nova Iorque. Prosseguiu o ensino superior em inglês, regressando aos EUA para se formar em gestão financeira, primeiro na Universidade de Adelphy, Long Island, e depois na Universidade George Washington.A família, mal soube da sua localização, no momento do segundo embate, perdeu a fé de encontrar JJ com vida: «Vim aqui para resgatar o corpo e enterrá-lo», diz, resignado, João Aguiar, que deixa um aviso ao Governo português: «Se Portugal não se juntar à coligação contra o terrorismo, não está a lutar pela liberdade. Eu próprio me ofereço para integrar um corpo expedicionário.»


publicado por João Carvalho Fernandes às 10:50
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9-11 TRIBUTE
HOMENAGEM AOS BOMBEIROS DE N. Y.090911_memorial.jpgFDNY 9/11 Tribute


publicado por João Carvalho Fernandes às 10:30
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WE WILL NEVER FORGET - SEPTEMBER 11, 2001
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publicado por João Carvalho Fernandes às 10:20
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Sábado, 11 de Setembro de 2010
WE WILL NEVER FORGET - SEPTEMBER 11, 2001
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publicado por João Carvalho Fernandes às 22:29
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
NÃO ESQUECEREMOS!
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publicado por João Carvalho Fernandes às 12:00
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