Sexta-feira, 26 de Março de 2004
PAULO FERREIRA DA CUNHA
PFC.jpgProfessor universitário, político, filósofo, escritor, pai, bloguer, etc, etc, etc.. Quantas horas tem o dia para si? PFC - O tempo é uma questão psicológica. Não conto as horas do meu dia. Sinto que tem poucas. Há quem sussurre que celebrei um pacto com o demónio e assim tenho mais tempo, ou clones diabinhos a trabalhar por ou para mim. A verdade é só que detesto perder tempo, e procuro acabar o que começo: e o mais depressa possível. Por outro lado, descanso de uns trabalhos fazendo outros. Em mim, a distinção entre trabalhar e divertir-me só é nítida quando tenho que trabalhar em burocracias universitárias ou ir a reuniões chatas. Em suma, o poder fazer muitas coisas depende realmente do grau de empenhamento (e de prazer) que tenho nelas. Nesse sentido, são os meus demónios a trabalhar...Goza de grande prestígio no estrangeiro, nomeadamente no Brasil. Em Portugal, parece-me que não é tão conhecido. "Em casa de ferreiro, espeto de pau"?PFC - Seria mais: "Santos de casa não fazem milagres!"Colocando a questão de outra maneira: creio que foi precisamente um "luso-brasileiro", o Padre António Vieira,quem disse - sem dúvida com alguma amargura - que Portugal era "uma nesga de terra para nascer e todo o mundo para morrer". E para citar outro grande clássico, também cada vez mais acho que Teixeira de Pascoaes identificou bem a nossa psicologia colectiva. Traduzindo-o em termos modernos, acho que somos um país com imensas qualidades, mas com uns defeitozinhos decisivos. Um deles é a dificuldade de cooperação social - o que tem como consequência até um défice de intervenção cívica -, a que preside, no fundo, um profundo individualismo, que na sua vertente positiva dá homens de "um só parecer" "de antes quebrar que torcer", e na sua vertente negativa (mais difundida em tempos de decadência como os que vivemos) desemboca numa verrinosa inveja.Chego aqui à sua pergunta: eu acho que não só eu como muitos espíritos que preferem a cooperação ao protagonismo assassino acabam por ser mais reconhecidos lá fora porque cá dentro são "cem cães a um osso" e o vizinho não pode ver a nossa relva mais verde. Há gente que estiola ou pelo menosesmorece em ambientes de excessiva malquerença. Cito só um exemplo, dos nossos livros científicos.Enquanto lá fora os autores fazem gala em neles agradecer às vezes a dezenas de colegas, colaboradores e amigos a quem deram previamente a ler os seus trabalhos, aqui aferrrolham-nos com medo de serem plagiados, e não agradecem mesmo quando tinham motivos para isso. (E o problema é que o medo de plágio não é paranóia, é real). Dito tudo isto, quero dizer-lhe que Portugal é o país que eu escolheria para ter nascido... embora talvez pense no Brasil se um dia me reformar...Conte-nos algumas das suas ideias que possam contribuir para a melhoria do Ensino em Portugal. PFC - O ensino em Portugal encontra-se numa situação de calamidade pública. Antes de mais, seria preciso acabar com a demagogia e reconhecê-lo, declarando um estado de sítio educativo.Os três principais eixos de mudança resumir-se-iam em enfrentar os males a sério, sem preconceitos, paninhos quentes e modernices suicidas: Professores dignificados e capazes de avaliar; Gestão profissional sem demagogia e submetida a quem sabe mais; Cursos e programas privilegiando o básico e o que é formativo.Só há ensino com professores. Precisamos urgentemente de Professores competentes, motivados, com autoridade, e com poderes suficientes para verdadeiramente avaliar. Um dos problemas mais graves do nosso ensino a todos os níveis é que os professores (que o não confessam) têm medo de avaliar, porque temem as represálias dos superiores, dos colegas, do ministério, dos alunos. As primeiras medidas seriam no sentido de criar um clima de confiança e auto-estima dos docentes. Isso teria que passar por rever o orçamento do ministério da educação e pagar aos professores à medida da sua função social importantíssima. Deve dar-se mesmo prioridade à educação. Só deixando de ser um semi-pária social, desconsiderado por todos, o Professor poderia ganhar de novo auto-confiança e cumprir o seu papel. Isso teria de passar concomitantemente pela abolição de todas as medidas e estruturas repressivas, inspectivas e avaliatórias, que, se podem detectar aqui e ali um ou outro professor menos bom, em geral só têm como efeitos desperdícios de meios e de tempo e a criação de um clima de subserviência e hipocrisia, em que se procuram artificialmente apresentar bons resultados (aprovações) por medo. A segunda reforma de fundo seria uma mudança profunda na estrutura de poder de todos os níveis de ensino. O Estatuto da Carreira Docente Universitária nem é muito mau, precisando de ser revisto pontualmente, nomeadamente terminando com a obrigatoriedade de as Universidades contratarem todos os que se doutoram – e hoje são multidão. Deveria este Estatuto ser posto em prática onde o não está a ser, nomeadamente quanto à responsabilidade dos orientadores pedagógicos sobre todos os docentes em formação. Bastaria isso para resolver o problema da Pedagogia, que hoje se agita como fruto de uma santa aliança de tecnocratas, burocratas, mandarins e activistas estudantis extremistas. O que precisa de profunda revisão, isso sim, é o sistema de gestão. Depois de muito ponderar prós e contras, que os há sempre, sou favorável a que as escolas tenham vários directores para os assuntos administrativos, submetidos a conselhos científico-pedagógicos (não faz sentido separar) que, por seu turno, deixem de ser constituídos por professores de 1.ª, 2.ª e 3.ª classe, provocando jogos de poder inaceitáveis. Só quem nada tem a temer pode realmente votar com independência. Sem preconceitos, eu diria que poderia haver directores executivos de carreira, submetidos a um conselho científico-pedagógico de catedráticos de nomeação definitiva, obviamente sem subordinar estes, como querem hoje alguns, a magnos conselhos nacionais ou a super-catedráticos, no fundo, a mandarins. Nos restantes graus de ensino, o actual sistema também está esgotado. Fui membro de um conselho directivo no liceu, enquanto aluno, e era frustrantíssimo… A ideia de paridade e participação nos órgãos por parte dos estudantes é apenas desejo de poder, e de tirocínio político por parte de uns poucos activistas – como eu fui, aliás. Acho que o poder deve ser exercido, em suma, por quem mais sabe e mais foi avaliado, no plano científico e pedagógico – os catedráticos, os professores coordenadores, os professores efectivos com mais graus académicos, etc., consoante os graus. As coisas burocráticas não devem ser para os professores, nem para os estudantes, mas para altos funcionários, submetidos ao duplo controlo dos conselhos científico-pedagógicos, e a um órgão que se poderia chamar conselho de escola, espécie de parlamento, esse sim paritário entre professores e estudantes, com funções de consulta, discussão e fiscalização. O terceiro domínio essencial seria a mudança dos conteúdos programáticos e dos planos de estudos. Se na Universidade temos de defender até à morte a liberdade académica, que implica que cada professor do quadro (não um assistente estagiário, por exemplo) deva decidir com liberdade do seu programa, nos demais graus de ensino impõe-se uma revisão profundíssima dos programas e dos planos de estudos. Todos sabemos que há matérias básicas, essenciais, e que hoje as crianças e os adolescentes vivem sobrecarregadíssimos com matérias e mais matérias, cadeiras e mais cadeiras, chegando contudo à Universidade a saber quase nada. Por um lado, tal é fruto do laxismo na avaliação, que já referi, mas também resulta da megalomania dos nossos programas e planos de estudos. Nesse domínio, sem dúvida que o Português e a Matemática, como linguagens, são essenciais. Mas eu iria privilegiar os Basics, o essencial em geral. E dominada a Língua e a Interpretação e a Redacção, e as matérias imprescindíveis à vida da Aritmética, da Álgebra e da Geometria, também não faria sempre fincapé em formar todos em Camões e Einsteins. Não me repugna que, a partir de um dado momento, se pudesse optar entre Literatura e História, entre Matemática e Filosofia, etc. Há sobretudo que dar aos estudantes referências. Hoje o ensino científico é muito mais vasto que no meu tempo, mas ninguém se localiza em cidadania e cultura, ninguém sabe melhor onde e como está no Mundo por saber mais Química orgânica ou Cristalografia… Contudo, é aberrante como se não sabe História, Geografia, Filosofia… até a nossa Literatura…que, longe de serem só matérias para os tidos como bastardos cursos de Letras são, afinal, o que nos identifica, como Portugueses, como Europeus. Estamos a formar sobretudo stupid scientists, como dizia creio que Bertrand Russell. E nem isso, porque somos globalmente péssimos a Matemática. Por outro lado - e de novo não é puxar a brasa à minha sardinha - é absurdo que hoje não se ensine a toda a gente obrigatoriamente Direito no ensino secundário: é um instrumento de cidadania. Mas, obviamente, não com um programinha pós-moderno contra a globalização e por uma versão esquerdizante dos direitos humanos, como será de prever se continuarem a pontificar as sumidades que os media nos impõem.Nem só Portugal ganharia com uma reforma assim. Ganhariam antes de mais os estudantes, que hoje são ludibriados por um facilitismo avaliador a par de muitos trabalhos e provas realmente com pouco préstimo. Hoje tem-se muitas aulas, muitos testes, muitas avaliações, muitos trabalhos extra-lectivos, mas é-se pouco rigoroso na avaliação, dispersivo nas matérias, e aos estudantes não são dados instrumentos mínimos de crítica, reflexão, e conteúdos elementares. Iludidos com uma pseudo-representação, os estudantes embrenham-se nos meandros do poder das escolas e afastam-se quer do estudo, quer do controle desse poder. A participação e a paridade executivas são ardis aculturadores, integradores, domesticadores da autonomia estudantil. Mas reconhecemos que é muito difícil vencer a mentalidade conservadora, mesmo nos estudantes, habituados ao statu quo…E em geral, evidentemente, analisar estas três propostas com ponderação sem as etiquetar de qualquer coisa obscena está muito para além dos hábitos dos nossos activistas e doutos observadores no domínio da educação, que além disso falam outra língua: o eduquês...Há espaço político para o Liberalismo em Portugal? PFC - Como sabe, sou liberal. Gostaria de me dizer um liberal liberal, já que hoje têm de se colocar adjectivos, porque a expressão foi sendo apropriada por uns e labelizada por outros, de forma que poucos se entenderão à partida quando se fala em liberalismo. O liberalismo que professo é um liberalismo social e ético. É um liberalismo bebido nas raízes verdadeiramente clássicas, desde logo com Adam Smith, mas muito um Thomas Hill Green, por exemplo, e que tem uma componente portuguesa iniludível e mais funda ainda, que tanto transporta o legado revolucionário de 1640, como se orgulha da pioneira acção social dos liberais no Reino Unido e se alimenta do legado da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão francesa, a qual é a tradução moderna do Direito Natural, o qual recua teoricamente ao velho Aristóteles. E que, como ainda recentemente foi comprovado por Zanotti e Termes, não tem qualquer incompatibilidade, antes confluência, com a doutrina social da Igreja, assente classicamente em Tomás de Aquino. Enfim: sou um novo-velho liberal. Porque o que é velho e original volta de novo, esse é que é novo, porque esse é que é actual. Como vê, por isto haverá muitos pretensos liberais que me excomungarão… mas esses, no meu ponto de vista, é que não são liberais.Um liberalismo que saiba quais são as suas raízes, atento, sem dúvida, a contributos mais modernos (naturalmente Hayek, claro, mas bem lido e lido todo), mas recusando extremismos de demolidores do Estado à marretada que nos querem até privatizar o ar que respiramos, um liberalismo moderado e ponderado, como é hoje o liberalismo social professado pela Internacional Liberal, para cujo último congresso, em Dakar, como sabe, fui um dos dois portugueses convidados (o outro foi o Prof. José Adelino Maltez), um liberalismo assim tem total espaço político em Portugal.Mas só este tipo de liberalismo: um liberalismo com tradição (como há anos proclamava o FDP alemão), com pais e avós fundadores e inspiradores, que nos associe os conspiradores da manhã de Nevoeiro do 1.º de Dezembro, a pena indómita do nosso António Ribeiro dos Santos, compreenda a aventura intelectual de Silvestre Pinheiro Ferreira, e vá de Herculano e Garrett à própria Maria da Fonte, contra os Cabrais e os novos Cabrais, e recorde o liberal Fernando Pessoa, e oiça a lição desse liberal sem o ser Agostinho da Silva até ao recentemente falecido Orlando Vitorino. E lembre, num abraço atlântico, o sonho de Gilberto Freyre, que não era puro liberal, mas era nosso, e os rigorosos liberais brasileiros, de extraordinário valor, como Roque Spencer Maciel de Barros, ou António Paim … O liberalismo tem essa vantagem sobre as ideologias ideológicas que é o ser abrangente, e não ter pejo em colher o que é bom onde quer que esteja. Mas temos em Portugal uma tradição liberal muito mal estudada, muito mal valorizada, e é triste ver como quem tem generosos impulsos liberais acabe por ir cair nos braços de um liberalismo frio, muito austríaco, que se mal se aplica na prática a países germânicos, muito menos teria cabimento entre nós.Portugal precisa de recuperar as suas raízes liberais, que estão aliás nos próprios factores democráticos da sua formação, estudados por Jaime Cortesão, na originalidade e carácter popular e pactício do poder, sublinhados por Pascoaes. Porque antes de haver liberalismo, já Portugal fora liberal. Esse espírito foi vergado, martirizado, torturado, por séculos de velha Inquisição e de novas inquisições. A última é o politicamente correcto.Mas estou firmemente persuadido de que o liberalismo só triunfará em Portugal se souber demarcar-se do chamado neo-liberalismo, a que uns chamam (embora com riscos de confusão) libertarismo ou libertarianismo (à americana) e que melhor se chamaria anarco-capitalismo. Entendendo aqui capitalismo não como mero mercado livre ou economia livre (como propunha João Paulo II para evitar confusões) mas como poder e privilégio dos possidentes. Nenhum futuro existe, a meu ver, num país com um fundo de missão e de valores (apesar da actual decadência) para uma ideologia simplesmente materialista como o anarco-capitalismo, além disso pouco credível e muito caricatural nas propostas bombásticas de bota-abaixo. Nenhum futuro para uma ideologia que é, pelo menos em grande medida, álibi de ricos (e pose de intelectuais snobs ou aspirantes a ricos) para manter e aprofundar sem complexos de culpa os seus privilégios, num país que em geral vive mal, onde há pobreza, privação, carência, profundas desigualdades. Nenhum futuro num país católico, mas de um catolicismo muito nosso, quase diria, católico e laico (coisas que vêm do anti-clericalismo lusitano) para ideologias intrinsecamente protestantes.O verdadeiro liberalismo luta pela Liberdade, pela Igualdade e pela Justiça, como ensinava Adam Smith. Esse espaço ainda não foi reivindicado aqui por ninguém nos nossos dias. Esse é o que as pessoas sentem que é preciso. Acha que as pessoas estão esclarecidas sobre o que significam as próximas eleições europeias, nomeadamente no que diz respeito à "Constituição Europeia"?PFC - De modo nenhum. Há uma cortina de silêncio sobre o assunto. Não só as pessoas não estão esclarecidas como muitos têm interesse em que o não estejam. Vou ser rápido, porque falei muito nas questões anteriores: não querem os nossos novos senhores que se fale no assunto. E quando se fala é para o levar para a demagogia ou para outra forma de demagogia - a demagogia dos intelectuais - que é o plano estritamente técnico. É a mais perigosa revolução branca da História. Por isso, a Organização europeia pró-Referendo, com que a Nova Democracia (PND) trabalha, vai perguntar, um a um, a cada partido e a cada candidato ao Parlamento Europeu se é a favor de um referendo. Estou certo de que num referendo sério - sério, repito - a Europa nunca chegaria a este tratado. Pode até fazer-se uma Constituição Europeia codificada. Não seria necessária, mas enfim.... Todavia, teria que se voltar à estaca zero e convocar uma Constituinte. E com alguma forma de paridade entre os Estados. Isso é que seria Federalismo autêntico.... O que se está a construir já não é sequer federalismo: é um novo Estado Europeu único, de que Portugal será uma pobre, desprezada, segregada, humilhada província periférica.E se o Povo português não der sinal de vida e independência nas próximas eleições europeias, dificilmente poderá levantar a cabeça no futuro, ou mantê-la erguida como povo não digo já sequer soberano, mas autónomo. Por isso é fundamental uma derrota do capitulacionismo nestas próximas eleições: o que se revela complicado, porque há uma ditadura dos "media", que fecham a porta a quem não diga "mais do mesmo".


publicado por João Carvalho Fernandes às 18:20
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PEDRO CUNHA MARTINS
pcm1.JPGÉ fumador? PCM - Fumo charutos desde 1989, na casa dos trinta anos, tive alguma curiosidade por esse culto. Seria prazer ? Afirmação pessoal ? Sinal de poder ? Sinal de luxo ? Talvez nesses tempos, a ideia de muitos seria uma das anteriores, mas o final da última década trouxe a afirmação inequívoca nesse sentido - é sim um prazer. Um prazer que é preciso conhecimento, aprender dia a dia os novos produtos, novos tabacos, novas capas e plantas, novas características, novos “blends”. No fundo um tubo cilíndrico para nos despertar sensações a frio que o fumo produzido irá comprovar, ou não, a quente.A CIGAR WORLD existe há quantos anos? O que esteve na base da sua criação?PCM - O projecto CigarWorld surgiu em meados da década de noventa e teve a sua primeira pedra numa pequena loja na Lapa, em 1998. Com a experiência de venda para vários países pela Internet decidi acreditar em Portugal, e, naquele tempo, há seis anos, apenas na área dos acessórios. O consumidor português socorria-se, e com razão, do mercado espanhol. Vejamos, por exemplo, o caso do Montecristo nº4 – naquela altura uma caixa custava 48 contos e em Espanha custava um terço. A partir do final de 1999, início do século,após duas descidas de preços os charutos já só custavam o dobro do preço de Badajoz.Dispunhamos então de charutos, quase todos para venda avulso. Tínhamos de sorrir para o cliente e apenas informar “estamos aqui para uma falta”. Os nossos dias de trabalho absorvente favorecem a desorganização pessoal e diariamente vinham clientes que se tinham “esquecido” de ir esse fim de semana a Badajoz.Inicialmente só vendiam acessórios. Explique-nos porquê e quando ocorreu a alteração de estrégia.PCM - Os acessórios, importados directamente como hoje, lá vendiam e ajudavam a pagar os custos. Após negociações com o Corte Ingles, estes optaram por uma empresa com know-how e especializada para gerir a maior “cava” dos 77 armazéns e a única gerida por terceiros, num mercado onde o charuto era conotado com o elevado custo e sem tradição.A aposta era clara, decisiva. O prazer que pode encontrar na nossa loja, e o mais procurado é o charuto cubano, um produto com um custo médio de 3 a 5 euros, uma pequena extravagância que todos, nem que seja apenas uma vez na vida, deveríamos tentar desfrutar.Creio que acreditei que a minha aposta “democrática” estava ganha no dia em que atendi um vendedor da revista CAIS, que com a sua t-shirt amarela com o respectivo logo, veio experimentar e comprar um charuto. Queria um cubano que não fosse muito forte - “...e já agora se me pudesse explicar como isto se fuma, sempre quis experimentar..”. Aparentemente um técnico que se a vida não lhe tivesse sido “madrasta” teria o sonho de ser um dos amantes do prazer de fumar um bom “puro” e uma nossa visita diária. Espero que a sorte lhe sorria e no-lo traga novamente.Como explica que em tão pouco tempo tenha conquistado uma fatia significativa do mercado dos charutos a outras empresas, algumas há muito instaladas?PCM - Na CigarWorld a aposta nunca foi roubar clientes mas sim democratizar o charuto e ganhar novos adeptos da causa. Temos cada vez mais fumadores mais jovens, mais mulheres que fumam charutos, mais mulheres que sabem comprar para oferecer. Oferecemos diversidade nos charutos avulso, 60 a 70 caixas abertas, variedade na oferta de tamanhos, embalagem para protecção no transporte adequada.Estamos a meio da corrida para a excelência, somos a primeira cava europeia com humidificação motorizada por sensores electrónicos (de cinco em cinco minutos).No presente ano a “luta continua”. Precisamos de manter a diversidade e acompanhamos as tendências mundiais. Faltam os produtos de excelência, os grandes dominicanos, as Honduras, a Nicarágua, as capas Cameroon que Meerapfel fez renascer, os grandes “blends”.Falta conseguir transmitir a todos os clientes o que vão fumar, que tripa, que capote, que capa. Falta informarem-nos o gosto que preferem e termos o fumo certo para o sabor que o fumador prefere. O que acha dos preços dos charutos em Portugal?PCM - No que respeita aos preços, Portugal tem necessidade de uma outra redução complementar de cerca de 10% para ter competitividade no mercado europeu, uma vez que em qualidade a considero superior aos nossos vizinhos, ao nível de Inglaterra, Suiça e Andorra.Após inúmeras visitas a fábricas de Cuba, com passagem pelos postos de trabalho em aprendizagem das cerca de 170 fases de fabrico surpreendem-me cada vez mais os dominicanos, capas com três maturações, Equador com Sol, Equador Shadow, blends com Nicarágua, híbridos a nascer com turfa do Canadá, solos com detectores electrónicos de humidade e charutos de qualidade bem balanceados e com excelentes aromas.Certo que no bom dominicano, temos uma desagradável surpresa – um preço médio bem superior aos charutos cubanos, temos em dez anos uma ascenção em qualidade e um branding excepcional das suas grandes marcas. Quantos aos cubanos os últimos anos com a Altadis permitiram-lhes alguma recuperação na qualidade, no marketing, mas sem grande evolução dos processos de fabrico e das plantas. Apenas a criação de uns híbridos Havana 92 e Havana 2000, que experimentei antes de saltarem a terreno, mas sem os aromas do criollo de Vuelta Abajo. Qual o seu charuto preferido?PCM - Aprecio regularmente os robustos, os torpedos, um doble corona num jantar com um grande amigo, surpreendeu-me sempre a excelência e fortaleza das selecções limitadas cubanas. Recordo com saudade o último Cohiba Piramides - que qualidade e fortaleza e aroma excepcionais ! Dos novos “terroirs” apreciei o Padron, Paul Garmirian, Fonseca Vintage, Aurora Preferidos Tubos Cameroon, Arturo Fuente Opus X, Ashton Heritage e VSG, Griffins Fuerte e Zino Platinum Crown.Qual a sua opinião sobre os charutos açorianos?PCM - A marca Azores é uma aposta pessoal na divulgação de um produto que é elaborado com qualidade. A mistura utilizada capa Sumatra, capote Dominicano, tripa Cubana Brasil e Olor Dominicano é um “blend” que lhe dá fortaleza e um sabor próximo dos grandes vintages dominicanos.A marca “AZORES” tem características que lhe permitem dar os primeiros passos para a internacionalização. Curiosamente falava para um grande distribuidor de capas no mundo e falava-lhe dos Azores para experimentar umas capas numa outra série. Azores, what are those cigars ? in Portugal ? islands ? hand rolled ? thats curious, the world does not know nothing about it ? send me two or three ? the blend seems good , quite different could be made in Dominican Republic or Honduras.....A CigarWorld é uma porta aberta para todos conhecermos novos produtos, “o mundo do charuto”, sendo um desafio agradável no caminho da excelência.


publicado por João Carvalho Fernandes às 13:50
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PAULO QUERIDO
pqfoto1.JPGEsta foto, merece como legenda o comentário do próprio: "É incrível, mas não tenho uma foto decente :)"O que levou um jornalista com créditos firmados e uma coluna fixa no Expresso a uma aventura como a weblog.pt?PQ - Resposta curta: a curiosidade. As simple as that.PQ - Resposta longa: até Fevereiro de 2003 os blogs eram apenas fontes de informação do jornalista, que mantinha o seu site pessoal num registo de... site, com algumas notícias e parte do arquivo dos cerca de um milhar de textos sobre Internet e Tecnologias de Informação que já escrevi. Em Fevereiro aconteceu o meu reencontro com o Luís Ene, que não via há 20 anos. Cautelosamente, por mail, dissemos um ao outro que só valia a pena reaproximarmo-nos SE houvesse aventuras novas, nenhum estava interessado em reviver o passado género "encontro dos Antigos Alunos do 6º F", com todo o respeito que nutro por esses acontecimentos, mas nem eu nem ele somos de reviver. Somos mais de maluqueiras novas. Encontrámo-nos e foi um flash: HAVIA projectos novos para fazermos juntos! O Luís já tinha um blog há meses. Perguntava-me porque não tinha eu um. Decidi investigar mais a fundo a blogosfera enquanto fenómeno, até porque era tempo disso. Em simultâneo decorriam conversações com o meu editor Libório Silva, do Centro Atlântico, sobre um projecto de livro do Luís, que tinha acabado de publicar o seu romance de estreia; eu já era autor. O Libório torceu o nariz ao projecto (uma ficção) apenas porque não era da esfera do Centro Atlântico e alvitrou um livro a quatro mãos sobre algo que estivesse a dar... como os blogs. Eu e o Luís conversámos e... decidimos que sim, estava ao nosso alcance. Comecei por querer saber como funcionavam os motores editoriais dos blogs. É que nem sequer ponderei o Blogger, onde o Luís tinha o dele. Como já possuía o meu próprio servidor, queria um mecanismo que EU controlasse. Instalei um primeiro, cujo nome já não me lembro, e foi nele que arranquei (o vento lá fora) a 27 de Março, e o Luís começou o Ene Coisas. Dois outros jornalistas meus amigos começaram também ali blogs em Abril, um deles não durou muito tempo mas o outro continua: No Bosque Ocidental. Em Maio mudei de motor. Realmente bom e potente era mesmo o Movable Type e achei que o futuro passaria por ele (aposta certa). A 28 desse mês registei o endereço weblog.com.pt tendo no horizonte a ideia de alojar mais blogs de amigos, depois de ter corrido bem a migração dos conteúdos dos nossos blogues para o novo sistema. A 10 de Junho abri o weblog.com.pt ao público. Mas nunca pensei que fosse obter o sucesso que obteve: pretendia apenas captar uma ou duas dúzias de pessoas mais exigentes em relação ao motor editorial...O resto é história conhecida. Eu não estava preparado para o sucesso do projecto. Nem sequer o tinha dimensionado. Mas uma vez em curso tornou-se irresistível cavalgá-lo. Tal como é inebriante fazer e manter um blog, é inebriante (e cansativo...) fazer crescer uma comunidade de bloggers. Como a maioria das coisas na minha vida, fui acrescentando pormenores ao sabor da inspiração e do feeling. O Top Technorati nasceu no I Enconto de Bloggers em Braga, quando se falava da necessidade de página agregadoras: levantei-me e disse, eu vou fazer o Top Technorati. E fiz. O Blogómetro foi ideia minha. Outro grande responsável pelo sucesso foi a lista dos últimos posts -- algo para mim óbvio de fazer, uma vez que tinha ali à mão a base de dados, era uma questão de escrever o script.Apesar de ser um projecto que à primeira vista nada tem a ver com jornalismo, na realidade tem. Primeiro: enquanto jornalista especializado (enfim, mais ou menos) em tecnologias compete-me estar em cima das novidades e os blogs eram novidade. Segundo, há um manancial de informação no sistema do weblog.com.pt que me é útil de vez em quando para o Expresso, como foi o caso na semana passada, num artigo sobre a mudança de comportamento dos utilizadores de serviços Internet, em que fui buscar os padrões de edição e de consulta dos blogs (os 400 blogs activos reflectem melhor que qualquer sondagem o universo dos blogs portugueses).Terceiro e mais importante: fui dominando ferramentas de sistematização de pesquisa e publicação de informação (notícias, opiniões abalizadas, teorias, fait-divers, whatever) que antecipam o futuro do jornalismo online.Achas que será possível manter no futuro o acesso gratuito?PQ - No futuro a curto e médio prazo (isto é, nos próximos seis meses), sim. Desde que misturado com serviços pagos, como já pus em prática, que ajudem a sustentar o sistema. Prever a mais de seis meses nesta área não é grande ideia... Mas estou convicto que haverá sempre blogs gratuitos. A história de todos os serviços Internet recomenda esta ideia: continuam e continuam gratuitos, mesmo que tenham passado de moda.Mas o projecto caminha para a profissionalização, ou não?PQ - Sim. Não só caminha: já é um projecto profissional - só que ainda mal remunerado e deficitário. O weblog.com.pt já tem receitas. Curtas, mas inequivocamente receitas. E eu já divido a atenção: dou agora primazia, na assistência como na simples resposta ao correio, aos clientes - tentando não descurar os borlistas. Penso que este facto prova a profissionalização - para o bem e para o mal.Quantas horas por dia dedicas, em média, à weblog?PQ - Tenho dias de 16 horas, tenho dias de zero horas. Varia muito, em função das minhas outras actividades profissionais e lúdicas. Diria que em média dedico quatro horas em seis dias por semana ao projecto.Qual o valor acrescentado para ti (seja do ponto de vista profissional ou pessoal) do teu blog, que também festeja agora um ano? (E já agora, Parabéns!) PQ - Do ponto de vista profissional há dois valores. Primeiro, noto já algum deslocamento de "importância", isto é, já me aconteceu telefonarem-me por causa de um texto publicado no blog... Isto era impensável! Mas não ligo muito a isso: nunca tive intenção nem tenho de fazer jornalismo-jornalismo no meu blog. Pode acontecer um texto ser mais noticioso, ou dar uma "cacha" (informação em primeira mão) mas será uma excepção. O segundo valor é o do arquivo. O meu blog é o meu arquivo, é a minha secretária electrónica, é o meu elo de ligação comigo. Posso estar em qualquer parte do mundo, desde que tenha Internet posso trabalhar pois tenho o meu arquivo e secretária acessíveis. Por extensão esse é também o grande valor do meu blog do ponto de vista pessoal. É um ponto de encontro comigo mesmo, com as minhas ideias, com alguns elos familiares e de amizade. O meu blog é uma extensão digital de mim. E não é mais que isso: não chego sequer a considerar-me um "blogger" da blogosfera portuguesa, sou mais um outsider, não tenho um blog por moda, ou para publicar as minhas ideias nunca lidas (caramba, escrevo para o público há 25 anos!), ou pelas razões típicas. Tenho um blog porque descobri que é a melhor forma de ser ubíquo, o que me é necessário (além de fascinante, claro).Alguma pergunta que gostarias que eu tivesse feito?PQ - Ó pá, acho que depois deste testamento não me ocorre mais nada! Entusiasmei-me com o teu desafio e olha no que deu... A primeira resposta contém material infomativo sobre o weblog.com.pt rigorosamente inédito!


publicado por João Carvalho Fernandes às 08:19
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MANUEL MONTEIRO
ND_C_MM07.jpgMM - Parabéns ao Fumaças. Que continue a deitar fumo por muitos e bons anos é o meu desejo.O que te levou a formar um novo partido? MM - A vontade de defender ideias fora do sistema politicamente correcto e a vontade de fazer politica com total liberdade, com a convicção de que a luta pelo Poder é sadia desde que autêntica e desde que sirva para exercer esse mesmo Poder e não apenas para o manter.Qual o balanço, até agora? Estás satisfeito? MM - Estou muito satisfeito. É uma experiência completamente nova. Fazemos política conciliando essa actividade com as nossas obrigações profissionais e ainda sem meios. Mas é nestes momentos que se reforçam laços e se cria mais espírito de grupo. A propósito tens visitado o nosso Site: www.pnd.pt?E sabes que vem aí o "DEMOCRACIA LIBERAL", o primeiro jornal partidário editado na net?Achas que as pessoas estão esclarecidas sobre o que significam as próximas eleições europeias, nomeadamente no que diz respeito à "Constituição Europeia"?MM - Acho que não. E há quem não queira divulgar o projecto de Constituição Europeia, precisamente para que as pessoas não fiquem com os cabelos em pé. O Fumaças podia ajudar a divulgar o que lá está. O que achas de o líder do PS vir pedir um "cartão amarelo" ao Governo nas próximas europeias?MM - Acho um disparate. O PS não quer discutir a Constituição Europeia e então opta pelo lado mais fácil. Bom seria que os eleitores dessem cartão amarelo aos dois. Muitos jornalistas já fizeram o enterro do PND se não fores eleito para o Parlamento Europeu. O que pensas disso? MM - Alguns jornalistas, não todos. Eu não me importo muito com essas opiniões. O PND não depende de um acto eleitoral. Os que dizem isso são os mesmos que apostaram na impossibilidade de reunirmos assinaturas para nos constituirmos. Deixa-os falar.......Fumas? Charutos?MM - Sabes que deixei de fumar? É verdade! Fumava 3 maços e meio por dia e interrompi há 4 anos. E sem adesivos....


publicado por João Carvalho Fernandes às 00:20
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