Domingo, 24 de Setembro de 2017
CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGIO

José Régio.jpg

 

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.

José Régio


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Domingo, 25 de Dezembro de 2016
DIA DE NATAL - ANTÓNIO GEDEÃO

Hoje é dia de ser bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

de falar e de ouvir com mavioso tom,

de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

 

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,

de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,

de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

 

Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,

como se de anjos fosse,

numa toada doce,

de violas e banjos,

Entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor

anuncia o melhor dos detergentes.

 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

 

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.

Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.

Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,

com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,

cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,

as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,

ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

 

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento

e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.

Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena.

 

Cada menino

abre um olhinho

na noite incerta

para ver se a aurora

já está desperta.

De manhãzinha,

salta da cama,

corre à cozinha

mesmo em pijama.

 

Ah!!!!!!!!!!

 

Na branda macieza

da matutina luz

aguarda-o a surpresa

do Menino Jesus.

 

Jesus

o doce Jesus,

o mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho

do Pedrinho

uma metralhadora.

 

Que alegria

reinou naquela casa em todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

 

Já está!

E fazia-as erguer para de novo matá-las.

E até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam

crivados de balas.

 

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,

de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas Alturas.


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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016
BOB DYLAN Prémio Nobel da Literatura - Blowing In The Wind (Live On TV, March 1963)

 



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Domingo, 24 de Março de 2013
ÁLVARO DE CAMPOS - Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


Álvaro de Campos

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Sábado, 3 de Novembro de 2012
O TEMPO DE TRAVESSIA - FERNANDO TEIXEIRA DE ANDRADE

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos

 

Fernando Teixeira de Andrade


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publicado por João Carvalho Fernandes às 19:34
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA - JOSÉ GOMES FERREIRA

Viver sempre também cansa

 

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul
ora é cinzento, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada

 

O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

 

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

 

Tudo é igual, mecânico e exacto

 

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem riem e digerem sem imaginação

.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe
automóveis de corrida...

 

E obrigam-me a viver até à morte!

 

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando
e recomeçar depois
achando tudo mais novo?

 

Ah! Se eu podesse suicidar-me por seis meses
morre em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do norte.

 

Quando viessem perguntar por mim
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
«Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.»

 

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a morte ainda menina no meu colo...

 

José Gomes Ferreira


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
DONA ABASTANÇA - MANUEL DA FONSECA
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

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publicado por João Carvalho Fernandes às 13:00
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
RECOMEÇAR - PAULO ROBERTO GAEFKE
Não importa onde você parou...em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível enecessário "Recomeçar".Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...é renovar as esperanças na vida e o mais importante...acreditar em você de novo.Sofreu muito nesse período?foi aprendizado...Chorou muito?foi limpeza da alma...Ficou com raiva das pessoas?foi para perdoá-las um dia...Sentiu-se só por diversas vezes?é porque fechaste a porta até para os anjos...Acreditou que tudo estava perdido?era o início da tua melhora...Pois é...agora é hora de reiniciar...de pensar na luz...de encontrar prazer nas coisas simples de novo.Que talUm corte de cabelo arrojado...diferente?Um novo curso...ou aquele velho desejo de aprender apintar...desenhar...dominar o computador...ou qualquer outra coisa...Olha quanto desafio...quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus teesperando.Tá se sentindo sozinho?besteira...tem tanta gente que você afastou com oseu "período de isolamento"...tem tanta gente esperando apenas um sorriso teupara "chegar" perto de você.Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos suportamos...ficamos horríveis...o mal humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.Recomeçar...hoje é um bom dia para começar novosdesafios.Onde você quer chegar? ir alto...sonhe alto... queira omelhor do melhor... queira coisas boas para a vida... pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos... se pensamos pequeno...coisas pequenas teremos...já se desejarmos fortemente o melhor e principalmentelutarmos pelo melhor...o melhor vai se instalar na nossa vida.E é hoje o dia da faxina mental...joga fora tudo que te prende ao passado... ao mundinhode coisas tristes...fotos...peças de roupa, papel de bala...ingressos decinema, bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamosquando nos julgamos apaixonados... jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração... fique pronto para a vida... para um novo amor...Lembre-se somos apaixonáveis... somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...afinal de contas... Nós somos o "Amor"..." Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não dotamanho da minha altura."Paulo Roberto Gaefke

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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010
JACOB - GOULART NOGUEIRA
Ah! da fuga abatido e da viagem,Quando a luz na ilusão esmaecia,Abriguei-me da hora vaga e friaE entrei pela estalagemVinho da noite, roxo e bom, bebi-o(Tão palhetado de oiro!) e embriaguei-me.Na estalagem do campo, então, deitei-me,Fiz da pedra da lua o travesseiro.E uma esfera de vidro, em rodopio,Mostrou-me no meu vulto verdadeiro.Anjo longo de cinza, erguendo asasDe papoula e de rubra lassidão,Todo nu, diamante de abandono,Despenhei serpentinas com as mãos rasasDe sono,Num labirinto de revelação.E foram hélice onde me gerava,Foram liames dando-me hausto e espaço.E foram vórtice onde me firmava.Foram golpes, fronteiras e abraço.Mas era bem um Anjo o Anjo estranho,Ou uma escadaria em cinza envolta?Cravou seus pés no chão endurecidoE, sem topo, nem vulto, nem tamanho,Pelos céus ia a escada etérea e solta.Era uma ressonância e era o ouvido,Enquanto a percorria firme escolta.Desciam os revólveres por ela...Revólveres? Ai! anjos pequeninos,Longos e nus, de cinza rija e bela.E, subindo, eram sóis, flores de Vida,Prenúncios e anúncios, como sinos,De jardins duma Vida desmedida.Anjo de cinza é morte,Escada para a Vida, um halo infindoQue fica nos revólveres mais forte.E, a cada morte em nós, vamos subindo.Goulart Nogueira

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Domingo, 18 de Julho de 2010
DESTINO - ALMEIDA GARRETT
Quem disse à estrela o caminhoQue ela há-de seguir no céu?A fabricar o seu ninhoComo é que a ave aprendeu?Quem diz à planta «Floresce!»E ao mudo verme que teceSua mortalha de sedaOs fios quem lhos enreda?Ensinou alguém à abelhaQue no prado anda a zumbirSe à flor branca ou à vermelhaO seu mel há-de ir pedir?Que eras tu meu ser, querida,Teus olhos a minha vida,Teu amor todo o meu bem...Ai! não mo disse ninguém.Como a abelha corre ao prado,Como no céu gira a estrela,Como a todo o ente o seu fadoPor instinto se revela,Eu no teu seio divinoVim cumprir o meu destino...Vim, que em ti só sei viver,Só por ti posso morrer. Almeida Garrett

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